Por Eduardo Bastos, CEO do Instituto Equilíbrio
A transição para uma agricultura de baixo carbono deixou de ser um desafio futuro. Ela já está acontecendo — e, mais do que isso, já demonstra o potencial de resultados econômicos expressivos.
O novo estudo do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), realizado com apoio do Instituto Equilíbrio e da Agni, confirma uma tendência que temos observado diariamente: sustentabilidade no agro é produtividade, competitividade e geração de riqueza para o Brasil.
Os números mostram isso com clareza. Quatro tecnologias amplamente acessíveis — biocombustíveis, bioinsumos, Sistema de Plantio Direto (SPD) e terminação intensiva de bovinos — têm potencial para adicionar até R$ 94,8 bilhões por ano ao PIB brasileiro até 2030. É um impacto que reforça o papel estratégico do país na construção de uma economia verde e globalmente competitiva.
O estudo revela que a adoção dessas tecnologias não é apenas viável — ela é desejável do ponto de vista econômico. Juntas, elas podem acelerar o crescimento do país, reduzir emissões e aumentar a eficiência produtiva, tudo ao mesmo tempo.
Impacto estimado no PIB até 2030
- Biocombustíveis: R$ 71,4 bilhões
- Bioinsumos: R$ 15,2 bilhões
- Plantio Direto (SPD): R$ 4,7 bilhões
- Terminação intensiva: R$ 3,5 bilhões
Somadas, representam um dos maiores saltos de produtividade e valor agregado já registrados para o agro brasileiro. E o mais importante: esse crescimento tem base em tecnologias que o Brasil domina e já utiliza. O desafio não é inventar, e sim escalar.
Outro ponto essencial: esse avanço pode gerar mais de 700 mil empregos diretos, especialmente em cadeias como bioenergia, insumos biológicos, agroindústria e pecuária de ciclo curto. A transição sustentável pode se tornar uma das maiores agendas de desenvolvimento regional do país, ampliando renda e oportunidades em territórios rurais.
Biocombustíveis: O Efeito Multiplicador Mais Forte
Entre as quatro tecnologias estudadas, os biocombustíveis se destacam com o maior impacto absoluto no PIB. A produção nacional pode chegar a 63,9 bilhões de litros em 2030 — um aumento de quase 70% em relação aos níveis atuais.
Esse crescimento tem efeitos positivos em cadeia:
- +8,1% na atividade de transportes
- +6,4% na indústria de transformação
- +3,5% na agropecuária
- +1,2% na agroindústria
Na prática, bioenergia é uma das formas mais eficientes de combinar segurança energética, descarbonização e geração de riqueza.
Menos Emissões, Mais Eficiência
A adoção ampliada das tecnologias de baixo carbono também traz benefícios diretos para a mitigação climática:
- Plantio Direto: redução de 7,4 MtCO₂e
- Terminação intensiva: redução de 19,3 MtCO₂e
- Bioinsumos: menor necessidade de abertura de novas áreas
- Biocombustíveis: substituição direta de combustíveis fósseis
São ganhos climáticos reais e que reforçam a capacidade brasileira de produzir mais, com menor impacto ambiental.
O Que Falta Para Capturar Esse Potencial?
Apesar dos avanços, ainda enfrentamos desafios estruturais: financiamento compatível com o risco e retorno dessas tecnologias; políticas públicas que premiem eficiência e competitividade; e mecanismos de mercado que acelerem a adoção.
Mas há uma boa notícia: o produtor já está avançando, mesmo em um cenário de juros elevados e incertezas. Isso mostra que sustentabilidade não é apenas narrativa — é retorno econômico concreto.
Oportunidade para o Brasil
O Instituto Equilíbrio nasceu com a missão de apoiar essa transformação. Trabalhamos para alinhar ciência, política pública, inovação, mercado e comunicação — elementos essenciais para que o Brasil se consolide como potência agroambiental.
O que o estudo da FGV nos mostra é simples: o crescimento verde é uma oportunidade histórica. A janela está aberta, as tecnologias existem e os benefícios são claros. Agora, precisamos transformar potencial em política, escala e competitividade. O agro brasileiro tem tudo para liderar essa virada.